O rock progressivo e psicodélico sempre encontraram no Nordeste brasileiro um bom lugar para fincar raízes. De Alceu Valença e Geraldo Azevedo, passando por Fagner (o cantor), Ednardo, Lula Côrtes e Zé Ramalho e o Ave Sangria, esses dois subgêneros conseguiram construir uma história e influenciar vários artistas pelos anos seguintes, caso do Papangu.
De João Pessoa, na Paraíba, o Papangu bebeu muito em todas essas fontes, mas, como muitos artistas brasileiros, também optaram por misturar um pouco mais aqui e ali para dar uma cara própria ao trabalho. “Celestial” gravado e mixado em Berlin, na Alemanha, é um ponto divisório da carreira da banda.
Todo mundo, sem exceção, é feito do caldeirão cultural de referências, convivências com as pessoas e os locais onde viveram. São essas experiências que acabam transformadas em palavras para contar no churrasco, músicas, poemas, filmes, séries e outras coisas. O novo disco do grupo paraibano parece isso, um grande amontoado de boas histórias, contadas de um jeito muito específico e bonito.
Também é importante destacar os arranjos das músicas e como o tempo é trabalhado entre elas. Tal qual um bom filme, há momentos de fala, alguns agitados e outros mais calmos, mas também há espaço para os mais diversos instrumentos brilharem do mesmo jeito. É essa mistura que faz “Celestial” ser tão especial (rimou) a ponto de a duração, pouco mais de 50 minutos, passar muito rápido.
De uns tempos para cá, existe toda uma nova geração de músicos brasileiros que conseguiram impulsionar a carreira fora, como Selton, BIKE e Boogarins, com algum sucesso. Neste terceiro trabalho de estúdio, o Papangu tem todo potencial para, assim como esses colegas de profissão, dar esse passo importante — caso queiram — porque “Celestial” é realmente como se estivéssemos nas nuvens.
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Tracklist:
1 - “Mau-Olhado”
2 - “Colosso”
3 - “Taxidermia”
4 - “Bode Expiatório”
5 - “Celeste”
6 - “Fechamento de Corpo”
7 - “Calado (de Olho)”
8 - “Iamanakaru”
9 - “Afirmação”
10 - “Outro”
Gravadora: Deck
Produção: Richard Behrens, Pedro Francisco, Marco Mayer e Rodolfo Salgueiro
Duração: 50 minutos
Avaliação: ótimo
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